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Minas Gerais terra dos Gigantes de Pedra Paraíso sediará a 2ª temporada de Escalada no Vale do Aço
16 de May de 2015

Travessia Pico da Bandeira MG e ES – Relato de uma aventura

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Travessia Pico da Bandeira MG e ES – Relato de uma aventura

Saímos de Ipatinga/MG no dia 23 de maio rumo à cidade de Alto Caparaó com um objetivo: conquistar o Pico da Bandeira, subindo por Minas Gerais e descendo pelo Espírito Santo. Eu levava na memória as palavras de Gabriel García Márquez : “Todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpada” e pedia a Deus que ele estivesse certo!
Para um jovem, alcançar o topo de uma montanha – exatos 2.892 metros pode não significar muita coisa, mas para mim, 55 anos, vida sedentária, que nunca havia pendurado uma mochila nas costas, chegar ao topo da montanha tem uma significação imensa: superação!
Para os montanhistas, chegar ao Pico da Bandeira é tranquilo, pois a trilha é considerada a mais fácil dentre todas as montanhas mais altas do país, mas para mim, conseguir chegar ao cume seria superação!
Superação significando domínio da situação... A Terra de Gigantes organizou a excursão, criou um grupo no Whatsapp e deu-nos todo o suporte necessário, desde a programação, o que levar e até o que não levar! No aspecto teórico as dificuldades estavam superadas: até uma bombinha pressurizada foi providenciada, caso eu sentisse efeitos da altitude! Eu decidi ir por confiar em meu filho e em sua equipe, pois eles possuem experiência, conhecimento e domínio da situação!
Superação significando sobrelevar-se...  no sentido literal da palavra: Subir, chegar ao topo. Caminhar 4,5 Km a partir do Terreirão, montanha acima, numa verdadeira “escalaminhada”.
Superação significando ultrapassar um limite... iniciar uma caminhada às 3h da manhã, morro acima, lanterna na mão, temperatura baixa, tendo como caminho pedras, pedras e mais pedras. Lembrávamo-nos do poema de Drummond “no meio do caminho tinha uma pedra”... em nossa aventura havia muitas pedras!
Superação significando progresso... um passo de cada vez, caminhando devagar e sempre. 3,5 m da Tronqueira até o Terreirão, 4,5 m do Terreirão até o Pico e depois mais 4,5m de descida até a Casa Queimada, próxima à portaria de Pedra Menina, no município de Dores do Rio Preto, já no ES.
Superação significando progresso... a subida a partir do Terreirão, iniciada às 3h da madrugada e concluída às 6h representou ir além de tudo o que eu já havia feito até então! Tínhamos que chegar antes do raiar do sol... A subida íngreme assustava, mas o incentivo dos meninos da Terra de Gigantes, a solidariedade dos membros do grupo, o companheirismo de quem partilhava gestos de gentileza: colocar o foco da lanterna para facilitar a escolha do melhor caminho; estender a mão para dar firmeza nos locais mais difíceis; partilhar água; dizer palavras de incentivo à todo instante.
Superação significando vitória... chegar ao cume da montanha foi vencer barreiras, vencer o cansaço, vencer os obstáculos do caminho!
Superação significando mudança de uma situação ruim para uma situação boa... Ver o nascer do sol, estar acima das nuvens, ter uma visão de 360º com o predomínio de serras, sentir o vento gelado, comemorar a conquista junto aos 17 companheiros de trilhas. Naquele momento, a expectativa que eu possuía foi superada!
Superação das dificuldades do montanhismo... a descida foi pelo lado do ES. Encaramos a trilha e chegamos à Casa Queimada às 13h. Nesta “escalaminhada” foi necessário superar o cansaço, superar as voçorocas que serviam de trilhas, superar a vontade de desistir, superar as dores no corpo, o peso da mochila que parecia ter aumentado consideravelmente.
Superação significando recuperação... recuperar a autoestima, o sentimento de que “eu iria conseguir” e, acima de tudo, o sentimento de que, ao conseguir, meu filho Rafael iria orgulhar-se de mim!
Ao final, resta uma dúvida: realizar esta “escalaminhada” valeu a pena?
Respondo com as palavras do poeta Fernando Pessoa “Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena!”

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